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ReviewReviewReviewReviewReviewMatsuo Bashô: Regras para PeregrinarMar 9, '06 8:30 AM
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Category:Other
O belo livro de Paulo Leminski sobre Matsuo Bashô e o haikai carrega uma série de traduções, passagens, e comentários muito interessantes. Passagens bem humoradas convivem com belos trechos. Abaixo, um comentário escolhido:

Além dos diários, chegou-nos, atribuída a Bashô, uma coleção de pensamentos, as Regras para Peregrinar.

Algumas:

1 - Não durma duas vezes no mesmo lugar. Queira sempre um colchão que você ainda não tenha esquentado.

2 - Roupas e utensílios devem estar de acordo com o que a gente precisa. Nem muitos, nem poucos.

3 - Não mostre seus versos, se não for solicitado. Solicitado, nunca recuse.

4 - Não se torne íntimo com mulheres que praticam o haikai. Não é bom nem para o mestre nem para a discípula. Se ela for séria sobre o haikai, ensine-a através de um intermediário. O dever ods homens e das mulheres é a produção de herdeiros. Dissipação impede a riqueza e a unidade da mente.
O caminho do haikai começa na concentração e na falta de distração. Olhe bem para dentro de si mesmo.

5 - Seja grato até àquele que lhe ensinou uma simples palavra. Não tente ensinar até ter entendido tudo. Ensinar é para quem já está perfeito.

6 - Para dizer o sabor do coração, precisa agonizar dias e dias.

LEMINSKI, P. Matsuó Bashô: A lágrima do peixe. SP: Brasiliense, 1983 (p. 62-63)


ReviewReviewReviewReviewReviewQue el Dios abandonaba a AntonioMar 4, '06 2:31 PM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Constantine Cavafy
QUE EL DIOS ABANDONABA A ANTONIO

Cuando de repente, a medianoche, se escuche
pasar una comparsa invisible
con músicas maravillosas, con vocerío -
tu suerte que ya declina, tus obras
que fracasaron, los planes de tu vida
que resultaron todos ilusiones, no llores inútilmente.
Como preparado desde tiempo atrás, como valiente,
di adiós a Alejandría que se aleja.
Sobre todo no te engañes, no digas que fue un
sueño, que se engañó tu oído:
no aceptes tales vanas esperanzas.
Como preparado desde tiempo atrás, como valiente,
como te corresponde a ti que de tal ciudad fuiste digno,
acércate resueltamente a la ventana,
y escucha con emoción, mas no
con los ruegos y lamentos de los cobardes,
como último placer los sones,
los maravillosos instrumentos del cortejo misterioso,
y dile adiós, a la Alejandría que pierdes.

KAVAFIS, C. Cien Poemas. Traducción del griego al castellano: Miguel Castillo Didier (chileno). Selección: Doris Jiménez y Ernesto Carmona. Biblioteca Virtual BEAT 57

ReviewReviewReviewReviewReviewRoad to Guantanamo + In This WorldFeb 14, '06 10:27 AM
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Category:Movies
Genre: Documentary
O weblog do site nominimo anunciou que está para ser lançado o documentário "Road to Guantanamo", do diretor britânico Michael Winterbottom. A história, conforme o blog, é sobre três rapazes paquistaneses que pegaram um avião para um casamento e foram parar na prisão norte-americana para supostos "terroristas".

O mesmo diretor já gravou outro documentário que parece muito interessante. Chama-se "In This World" (2002), e conta a história de dois afegãos que buscam entrar na Inglaterra como clandestinos. Para quem possui Emule, Shareaza e afins, o documentário pode ser baixado no seguinte link:

In This World 2002 Dvdrip Xvid Spa.avi

Link para as legendas em espanhol (não encontrei ainda em português...):

InThisWorld2002-Spanish[Xsubt.com][4879155801].rar

Link para o trailer do filme (In This World):

http://www.apple.com/trailers/independent/in_this_world.html

Para saber mais sobre o "Road to Guantanamo", clique aqui



ReviewReviewReviewReviewReviewIviturui Montanhismo - FotografiasNov 25, '05 7:19 AM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Marcelo L. Brotto

O Iviturui Montanhismo é um de meus sites preferidos. Conta histórias de aventuras de montanhistas paranaenses, traça e indica roteiros, e principalmente vincula belas fotografias.

A imagem “http://www.altamontanha.com/iviturui/page1/ibit002.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Pico Paraná


A imagem “http://www.altamontanha.com/iviturui/page1/ibit006.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Caratuva


A imagem “http://www.altamontanha.com/iviturui/page1/ibit010.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Pico Paraná visto pelo Caratuva

A imagem “http://www.altamontanha.com/iviturui/page1/ibit108.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Pôr do sol no PP. Camelos, Ciririca e Agudo da Cotia ao longe.


Ciririca (canto esquerdo) visto a partir do Camapuã, exatos 2 anos antes, na Páscoa de 2001. Foto: Marcelo L. Brotto
"O sol sempre brilha acima das nuvens"


ReviewReviewReviewReviewReviewAugust MackeNov 23, '05 9:30 PM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:August Macke
Dame in Gruner Jacke, 1913 Art Print by August Macke
Dame in Gruner Jacke, 1913
St. Germain Bei Tunis Art Print by August Macke
St. Germain Bei Tunis

Seiltanzer 1914 Art Print by August Macke
Seiltanzer 1914


Promenade 1913 Art Print by August Macke
Promenade 1913


Kairouan III Art Print by August Macke
Kairouan III

ReviewReviewReviewReviewReviewPinturas de Miseta RolandNov 23, '05 3:05 PM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:MISETA ROLAND
A imagem “http://www.festomuvesz.hu/miseta/kepek/2005_02_15/Adria.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
A festmény címe / Title:
Adria: 2005. 35x20 cm
Technika / Medium: akvarell.


A imagem “http://www.festomuvesz.hu/miseta/kepek/Panteleimonas.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
A festmény címe / Title:
St. Panteleimonas.
Technika / Medium: akvarell.
Méret/Size: 31x23 cm.
Készült / Made: 2001.


A imagem “http://www.festomuvesz.hu/miseta/kepek/Skiathos-2.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
A festmény címe / Title:
Skiathos II.
Technika / Medium: akvarell.
Méret/Size: 29x22 cm.
Készült / Made: 2004.


A imagem “http://www.festomuvesz.hu/miseta/kepek/2004_09_26/Pecs_Belvaros_I.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
A festmény címe / Title:
Pécs belváros I.


A imagem “http://www.festomuvesz.hu/miseta/kepek/2004_07_07/Szentendre.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
A festmény címe / Title:
Szentendre.
Technika / Medium: akvarell.
Méret/Size: 23x23 cm.

Készült / Made: 2004.


Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Heinrich Harrer
Para quem já viu o filme "Sete Anos do Tibet", há um bonito livro, escrito por Harrer, que fala sobre sua aventura. Junto ao livro, é interessante conferir algumas das fotos tiradas em sua própria estadia no Tibet, já disponíveis na net.

Ngari Rinpoche

Caption Excerpt


The Largest Thangka

Caption Excerpt


Arrival of the Ministers

Caption Excerpt


The Dalai Lama's Flight, 1951

Caption Excerpt


The Horn at Chagpori

Caption Excerpt



ReviewReviewReviewReviewReviewFotografia de Gunars BindeNov 21, '05 8:13 AM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Gunars Binde






ReviewReviewReviewReviewReviewTermópilasNov 11, '05 11:12 PM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Constantine Cavafy
Honra àqueles que Termópilas fixaram
em suas vidas para as defender.
Que, jamais se furtado à obrigação,
foram justos e retos nos seus atos,
mas condoídos, também, e compassivos;
generosos, quando ricos; quando pobres,
generosos ainda com seu pouco,
socorrendo a quem pudessem; proclamando
sempre a verdade, embora sem nutrir
ódio algum por aqueles que mentissem.

E de mais honra serão merecedores
se previram (como tantos o fizeram)
que Efialte finalmente há de surgir,
e que os medas finalmente passarão.

- Constantine Cavafy (tradução de José Paulo Paes - Poemas, ed. Nova Fronteira)

ReviewReviewReviewReviewReviewOs Cavalos de AquilesNov 9, '05 11:01 AM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Constantine Cavafy
Ao verem Pátroclo morrer tão jovem,
em todo o seu vigor e bravura sem par,
os cavalos de Aquiles puseram-se a chorar.
A imortal natureza deles se insurgia
contra o feito de morte a que assistia.
Sacudiam as cabeças, as longas crinas agitavam,
e, pisoteando o chão com os cascos, pranteavam
Pátroclo, a quem ali percebiam inerme, aniquilado -
cadáver ora desprezível - o espírito evolado -
indefeso - sem sopro de vivente -
exilado, da vida, no grande Nada novamente.

O pranto dos seus cavalos imortais
fez pena a Zeus. "No casamento de Peleu",
disse, "irrefletido foi o gesto meu;
inditosos cavalos, melhor fora, creio,
não vos ter dado. Que faríeis lá no meio
da mísera humanidade que é joguete da Sorte?
Vós, a quem velhice não ronda nem espreita morte,
infortúnios fugazes padeceis. Às suas
dores os homens vos prendem". - Mas as lágrimas suas
pelo eterno, sem remissão jamais,
infortúnio da morte vertiam os dois nobres animais.

- Constantine Cavafy (Konstantinos Kavafis) -
Traduzido por José Paulo Paes em "Poemas" (RJ, Nova Fronteira, s/d).

ReviewReviewReviewReviewReviewDevires - a virtualidade mutanteOct 7, '05 9:53 PM
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Category:Other
Sinto falta dos arquivos midi e dos desdobramentos do baile de máscaras.


Devires - a virtualidade mutante... Atrair, repelir, incitar, rechaçar, suscitar, recusar, resistir, provocar, desejar... Forças soltas, livres, selvagens - a música silenciosa que faz dançar. O amor pelo desconhecido, que une Passenger e Vera, não é o amor dela por ele, um desconhecido, nem o amor dele por ela, uma desconhecida. É o amor, a paixão pelo aberto disso que eles fabricam - o que estão vivendo e escrevendo - e que os está dobrando, duplicando, avessando. Esse devir outro, essa singularização os joga no centro de uma virtualidade mutante - eles não sabem para onde estão indo e onde/se chegarão. E não se preocupam. Vale, para eles, a viagem, o processo de ir. Tudo arriscam pela vertigem, pela fúria de experimentar, pela vontade de saber. Destroçar, morrer? Que importa isso? O que um dia importou isso, se há esse vazio denso à frente para ser penetrado, maior que o medo da morte? Se há essa outra força de produzir-se que ultrapassa o "eu", e que não é amorosa, ou política, ou estética, ou ética, mas que é tudo isso ao mesmo tempo agora?

Lúcidos e embriagados de si mesmos, eles sabem: se não quiserem ser capturados, congelados pelo tempo, presos em passados que convivem uns dentro dos outros como camadas, Passenger (o guerrilheiro) e Vera (a terrorista) terão de se jogar no futuro, inventando-o.

É Passenger quem diz:

- Vera e Passenger sofrem e compõem uma grande historia deste nosso tempo de zeros e uns, uma historia que não poderia ter sido escrita antes, uma historia nova. Não importa quantos leiam e entendam, é uma historia nova. Sofrimento e dor online. Lida por muitos, entendida por raros.

"Devires" é esta história.

ReviewReviewReviewReviewReviewIthacaSep 24, '05 1:29 AM
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Category:Books
Genre: Other
Author:Constantine Cavafy
When you set out on your journey to Ithaca,
pray that the road is long,
full of adventure, full of knowledge.
The Lestrygonians and the Cyclops,
the angry Poseidon -- do not fear them:
You will never find such as these on your path,
if your thoughts remain lofty, if a fine
emotion touches your spirit and your body.
The Lestrygonians and the Cyclops,
the fierce Poseidon you will never encounter,
if you do not carry them within your soul,
if your soul does not set them up before you.

Pray that the road is long.
That the summer mornings are many, when,
with such pleasure, with such joy
you will enter ports seen for the first time;
stop at Phoenician markets,
and purchase fine merchandise,
mother-of-pearl and coral, amber and ebony,
and sensual perfumes of all kinds,
as many sensual perfumes as you can;
visit many Egyptian cities,
to learn and learn from scholars.

Always keep Ithaca in your mind.
To arrive there is your ultimate goal.
But do not hurry the voyage at all.
It is better to let it last for many years;
and to anchor at the island when you are old,
rich with all you have gained on the way,
not expecting that Ithaca will offer you riches.

Ithaca has given you the beautiful voyage.
Without her you would have never set out on the road.
She has nothing more to give you.

And if you find her poor, Ithaca has not deceived you.
Wise as you have become, with so much experience,
you must already have understood what Ithacas mean.

ReviewReviewReviewReviewReviewbambooAug 18, '05 5:18 PM
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Category:Other


"As almas viris são como o bambu ao vento:
podem vergar por um momento
mas não quebram"


ReviewReviewReviewReviewReviewN&B ReportageAug 1, '05 8:56 PM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Pierre Genie

ReviewReviewReviewReviewReviewJeffrey Shimizu´s Photo GalleryJul 21, '05 7:15 PM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Jeffrey Shimizu
Jeffrey Shimizu combina bonitas fotos com versos esporádicos, como os de Paulo Leminski:

 "Depois de hoje
a vida não vai mais ser a mesma
a menos que eu insista em me enganar"

25 - Hidromassagem
"Hidromassagem" (Ilha do Cardoso)

33 - Ingenu Idade
"Ingenu Idade" ("Ilha do Cardoso")

45 - Despedida
"Despedida" ("Ilha do Cardoso")

IMG_2704R.jpg
sem título ("Morro do Caratuva")

IMG_2764R.jpg
sem título ("Morro do Caratuva")

IMG_2755R.jpg
sem título ("Morro do Caratuva")

Wired and Waiting
"Wired and Waiting", acompanhada pelos belos versos do polaco curitibano:

 "A luz acesa na janela lá de casa
O fogo, o foco lá no beco e no farol
Esta noite, esta noite vai ter sol"


ReviewReviewReviewReviewReviewDiario del MareJul 17, '05 11:33 PM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Nicola Lorusso
Poucas fotos, mas tão belas quanto o pequeno comentário:


Diario del mar, en palabras de la escritora y crítica de la fotografía: Mariona Fernández, Barcelona 2000.

En el mar, el tiempo y el espacio se confunden. Y en éstas fotos el tiempo cobra su máxima dimensión espacial; donde vemos paisajes creemos ver tiempo. Un tiempo sentado, a la espera de encontrar una ruta, una continuación. El tiempo de nadie en un territorio límite, donde la tierra acaba y empieza el mar, o viceversa. En cualquier caso es otra frontera. Las personas que habitan sus imágenes parecen saber que están lejos de algo y muy cerca de sí mismos: su, nuestro comportamiento cambia. El espíritu se ensancha ante la falta aparente de las leyes que rigen nuestro día a día. La playa es un reducto de los espacios sin ley, la tierra de nadie más accesible que tenemos.

Los ojos de Nicola Lorusso no miran, sus imágenes no hablan, no cuentan ninguna historia. Este fotógrafo utiliza los ojos para oír lo que su cámara escucha y el que habla es el fragmento de un mundo encuadrado que él ha elegido como interlocutor. Estamos ante unas fotografías que escuchan la historia que acontece y nos permiten oírla a nosotros.

En esa tierra de fronteras cambiantes, donde el tiempo se confunde con el espacio, donde la tierra empieza o acaba, donde la intimidad es posible en sociedad, donde el mar simboliza la vida y representa la muerte, donde el vacío contiene todas las posibilidades, no es extraño que alguien, en este caso Nicola Lorusso, pueda oír con la mirada. Además, en italiano “sentir” también significa “oír”.















ReviewReviewReviewReviewReviewMediterraneo (1991)Jul 17, '05 1:11 AM
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Category:Movies
Genre: Other


415
00:51:38,428 --> 00:51:40,362
Uma vida é muito pouco.

416
00:51:41,431 --> 00:51:43,365
Uma vida só, não me basta.

417
00:51:45,435 --> 00:51:48,370
Não há dias que bastem.

418
00:51:48,438 --> 00:51:51,373
Há coisas demais a fazer,
idéias demais.

419
00:51:53,443 --> 00:51:58,380
Todo pôr-do-sol me enche o saco,
porque mais um dia se foi.


420
00:51:59,449 --> 00:52:04,318
Depois me comovo,
porque penso que estou só.

421
00:52:05,388 --> 00:52:08,323
Um pontinho no universo.

Nicola Lorusso: Life isn't enough. One life isn't enough for me. There aren't enough days. Too many things to do, too many ideas. Every sunset upsets me because another day has gone by.


ReviewReviewReviewReviewReviewMais um conto SufiJul 8, '05 11:51 PM
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Category:Other
Não sei se esse realmente é um conto sufi (o 'autor' não revelou se está fazendo uma paráfrase, ou está citando o conto em sua literalidade), mas com certeza algum Sufi poderia dizer isso. A propósito: "Sufi" parece provir do sophos grego, o que resultaria numa consideração curiosa: enquanto o filósofo permanece como o "amigo" da sabedoria, o Sufi é o próprio sábio, aquele mesmo que a encarna.

"Um conto Sufi"

http://www.gramadosite.com.br/cgi/cultura/max/id:1704/xcoluna:1/leiapage:1/

Conta-se que em um dos templos nas montanhas, há muito tempo, vivia um grande mestre. Sua fé era considerada inabalável. Seus poderes não podiam ser entendidos de outra forma, que não a própria manifestação divina.

Um jovem, ainda inexperiente demais, quis juntar-se aos monges desse templo, movido pelo desejo de conhecer o Grande Mestre e estudar com ele. Após muita discussão por causa da idade do rapaz, o Mestre o aceitou e passou a ensiná-lo pessoalmente, despertando a inveja dos demais monges.

Num dia de inverno, onde a bruma das montanhas cobria a visão, os monges invejosos se reuniram em torno de uma das fogueiras e decidiram que o jovem discípulo devia morrer. Correram até ele e lhe disseram: “Se tu realmente tens fé e confias nos ensinamentos do mestre, tu saltarás do penhasco adiante e não morrerás, porque tua fé há de salvá-lo”.

O jovem sequer considerou o pedido dos companheiros. Saiu correndo e jogou-se penhasco abaixo. Os monges todos correram, esperando ver seu corpo dilacerado nas pedras lá embaixo, mas, para sua surpresa, o jovem pairava no ar...

O Grande Mestre sorriu.

A segunda armadilha deu-se na travessia de um rio. Os monges aproximaram-se do jovem e disseram: “Se tu realmente tens fé e confias nos sagrados ensinamentos do mestre, tu sairás do barco agora e caminhará sobre as águas, sustentado pela sua fé”.

Mais uma vez, o jovem impetuoso não titubeou. Saiu do barco e pôs-se a andar sobre as águas, para o espanto dos colegas monges.

Vendo aquilo, e lembrando do que acontecera antes, o Grande Mestre pensou: “Se ele pode andar sobre as águas sendo apenas um discípulo, eu certamente poderei fazer o mesmo”. saindo do barco, o Mestre afundou como uma pedra e morreu afogado.

Moral da história: A sua fé independe do seu Mestre.

ReviewReviewReviewReviewReviewIsso também passaráJul 6, '05 11:21 PM
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Category:Books
Genre: Religion & Spirituality
Author:Histórias das terras dos sufis
http://www.sertaodoperi.com.br/poesiasufi/estorias/isso_passara.htm

Um dervishe, depois de uma árdua e longa viagem através do deserto, chegou por fim à civilização. O povoado se chamava Colinas Arenosas e era quente e seco. Não havia muito verde, exceto feno para o gado e alguns arbustos. As vacas eram o principal meio de vida das pessoas de Colinas Arenosas. O dervishe perguntou educadamente a alguém que passava se havia algum lugar onde poderia encontrar comida e abrigo para aquela noite.

- Bem, disse o homem coçando a cabeça - não temos um lugar assim no povoado, mas estou certo de que Shakir ficará encantado de lhe brindar com sua hospitalidade esta noite.

Então o homem indicou o caminho da fazenda de propriedade de Shakir, cujo nome significa "o que agradece constantemente ao Senhor".
No caminho até a fazenda, o dervishe parou perto de um pequeno grupo de anciões que estavam fumando cachimbo e eles confirmaram a direção. Eles disseram que Shakir era o homem mais rico da região.
Um dos homens disse que Shakir era dono de mais de mil vacas.

- E isso é maior do que a riqueza de Haddad, que vive no povoado ao lado.
Pouco tempo depois o dervishe estava parado em frente a casa de Shakir a admirando. Shakir, que era uma pessoa muito hospitaleira e amável, insistiu para que o dervishe ficasse por alguns dias em sua casa.
A mulher e as filhas de Shakir eram igualmente amáveis e deram o melhor para o dervishe. Inclusive, ao final de sua estadia, lhe deram uma grande quantidade de comida e água para sua viagem.
No seu caminho de volta para o deserto, o dervishe não conseguia parar de se perguntar o significado das últimas palavras de Shakir.
No momento da despedida o dervishe havia dito:

- Dê Graças a Deus pela riqueza que tens.

- Dervishe - havia respondido Shakir - não se engane pelas aparências, porque isto também passará.

Durante o tempo em que havia passado no caminho Sufi, o dervishe havia compreendido que qualquer coisa que ouvisse ou visse durante sua viagem lhe oferecia uma lição para aprender, e portanto, valia a pena considerá-la. Além de tudo, essa era a razão pela qual havia feito a viagem, para aprender mais.
As palavras de Shakir ocuparam seus pensamentos e ele não estava seguro de ter compreendido completamente o seu significado.

Quando estava sentado sob a sombra de um arbusto para rezar e meditar, recordou do ensinamento Sufi sobre guardar silencio e não se precipitar em tirar conclusões para finalmente alcançar a resposta. Quando chegasse o momento, compreenderia, já que havia sido ensinado a permanecer em silêncio e sem fazer perguntas. Para tanto, fechou a porta dos seus pensamentos e submergiu sua alma em um estado de profunda meditação.

E assim se passaram mais cinco anos, viajando por diferentes terras, conhecendo pessoas novas e aprendendo com suas experiências no caminho. Cada nova aventura oferecia uma lição a ser aprendida. Entretanto, como requeria o costume Sufi, permanecia em silêncio, concentrado nas ordens do seu coração.

Um dia, o dervishe voltou a Colinas Arenosas, o mesmo povoado onde havia passado alguns anos antes. Se lembrou de seu amigo Shakir e perguntou por ele.

- Está vivendo no povoado ao lado, a dez milhas daqui. Agora trabalha para Haddad - respondeu um homem do povoado.

O dervishe lembrou surpreendido que Haddad era o outro homem rico da região. Contente com a idéia de voltar a ver Shakir outra vez, se apressou para ir ao povoado vizinho. Na maravilhosa casa de Haddad, o dervishe foi bem recebido por Shakir, que agora parecia muito mais velho e estava vestido em andrajos.

- O que lhe aconteceu? - quis saber o dervishe.

Shakir respondeu que uma enchente três anos antes o havia deixado sem vacas e sem casa; assim ele e sua família se tornaram empregados de Haddad, que sobreviveu à enchente e agora desfrutava da posição de homem mais rico da região. Entretanto, esta alteração na sorte não havia mudado o caráter amistoso e atencioso de Shakir e de sua família.
Cuidaram amavelmente do dervishe na sua cabana durante os dois dias e lhe deram comida e água antes dele sair.
Na despedida, o dervishe disse:

- Sinto muito pelo que aconteceu com você e sua família. Mas sei é que Deus tem um motivo para aquilo que faz..
- Mas não se esqueça, isto também passará.

A voz de Shakir ressoou como um eco nos ouvidos do dervishe. O rosto sorridente do homem e seu espírito tranqüilo não abandonavam seu pensamento.

- O que ele quer dizer com esta frase desta vez?

O dervishe sabia agora que as últimas palavras de Shakir na sua visita anterior se anteciparam às mudanças que ocorrerem. Mas dessa vez, se perguntava o que poderia justificar um comentário tão otimista. Assim deixou a frase de lado outra vez, preferindo esperar pela resposta.
Passaram meses e anos, e o dervishe, que estava ficando velho, continuou viajando sem nenhuma intenção de parar.
Curiosamente, suas viagens sempre o levavam de volta ao povoado onde vivia Shakir. Assim sendo, demorou sete anos para voltar a Colinas Arenosas e Shakir estava rico outra vez. Agora vivia na casa principal da propriedade de Haddad e não na pequena cabana.

- Haddad morreu há dois anos - explicou Shakir - e, como não tinha herdeiro, decidiu deixar sua fortuna para mim como recompensa dos meus leais serviços.

Quando estava terminando sua visita, o dervishe se preparou para a viagem mais importante de sua vida: cruzaria a Arábia Saudita para fazer sua peregrinação a pé até Meca, uma antiga tradição entre seus companheiros. A despedida de seu amigo não foi diferente das outras vezes. Shakir repetiu sua frase favorita:

- Isto também passará.

Depois da peregrinação, o dervishe viajou à Índia. Ao voltar a sua terra natal, Pérsia, decidiu visitar Shakir mais uma vez para ver o que havia acontecido com ele. Assim, mais uma vez se pós em marcha para Colinas Arenosas. Mas em vez de de encontrar seu amigo Shakir, lhe mostraram uma humilde tumba com a inscrição "Isto também passará". O dervishe ficou ainda mais surpreendido do que das outras vezes, quando o próprio Shakir havia pronunciado estas palavras.

- As riquezas vem e as riquezas se vão - pensou o dervishe - mas, como pode trocar um túmulo?

A partir de então o dervishe adquiriu o costume de visitar a tumba de seu amigo de tantos anos e passava algumas horas meditando na morada de Shakir. Entretanto, em uma de suas visitas o cemitério e a tumba haviam desaparecido, arrasados por uma enchente. Agora, o velho dervishe havia perdido o único vestígio deixado por um homem que havia marcado tão excepcionalmente as experiências de sua vida. O dervishe permaneceu durante horas nas ruínas do cemitério, olhando o chão fixamente. Finalmente, levantou a cabeça em direção ao céu e então, como se houvesse descoberto um significado mais elevado, abaixou a caberá em sinal de confirmação e disse:

- Isto também passará.

Finalmente o dervishe ficou muito velho para viajar, decidindo se fixar e viver tranqüilo e em paz pelo resto de sua vida.

Os anos se passaram e o ancião se dedicava a ajudar a quem se acercava dele para os quais aconselhava e a compartilhar suas experiências com os jovens. Vinha gente de todas as partes para beneficiar-se de sua sabedoria. Finalmente, sua fama chegou até o grade conselheiro do rei, que casualmente estava buscando alguém com grande sabedoria.

O fato era que o rei desejava que lhe fizessem um anel. O anel teria de ser especial: devia ter uma inscrição de tal forma que quando o rei se sentisse triste, olhasse o anel e ficaria contente e se estivesse feliz, ao olhar o anel se entristeceria.

Os melhores joalheiros foram contratados e muitos homens e mulheres se apresentaram para dar sugestões sobre o anel, mas o rei não gostava de nenhuma. Então o conselheiro escreveu para o dervishe explicando a situação, pedindo ajuda e o convidando para ir ao palácio. Sem abandonar sua casa, o dervishe enviou sua resposta.

Poucos dias mais tarde, um anel foi feito com uma esmeralda e foi entregue ao rei. O rei, que havia estado deprimido por vários dias, mal o recebeu, botou o anel no dedo e olhando-o, deu um suspiro de decepção.
Logo começou a sorrir e, pouco depois, ria às gargalhadas.
No anel que usava estavam escritas as palavras "Isto também passará".

Farid Ud Din Attar - Histórias da Terra dos Sufis

ReviewReviewReviewReviewReviewPinturas de Luis BadosaJul 6, '05 10:51 AM
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Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Luis Badosa

Torre herida por el rayo o La ira de Yahvé.
Óleo sobre tabla, 2000/1.
50 x 80 cm.


Poética violácea.
Óleo sobre tabla, 2001.
17´7x 24´4 cm.


Toro1. Óleo sobre tabla., 2002. 32 x 51 cm


Figuración matérica en llanura calcárea, en primavera. Óleo sobre tabla, 2002.
24´9 x 31´5 cm.


El cazador Morais. Óleo sobre lienzo, 2000. 116 x 89 cm.

Pages:1234
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